sexta-feira, 20 de abril de 2018

A paz



Programa Ponto & Vírgula - 24.02.18




Às vezes a paz sai apressada da minha vida,
parte e parece não fazer caso do que eu sinto,
ficam as vozes alteradas, a palavra irrefletida
e eu fico no deserto, com o prelúdio da paz extinto.

Que se calem as vozes por um instante,
que renunciem a esse irrisório enredo,
que a fúria seja delírio, inspiração distante,
que a ira se levante tarde e se deite cedo.

As palavras alteram-se, cegas e sem rede,
são  braços traiçoeiros que a agitação atrai,
grita aquele, grita este, irado, cheio de sede
de uma razão que enfastiada, também se vai.

Por isso, procuro o meu repouso longe de tanta tolice,
no terno ninho  que a paz fez com carinho ardente
e distanciada das sentenças: “tu disseste, eu disse“
achego-me a ele, enrosco-me lenta e docemente!



Fernanda R-Mesquita





quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

Lake Louise- 2016

 Lake Louise) é um lago do Parque Nacional de Banff, na província de Alberta, no Canadá. 
A cor esmeralda da água, vem de partículas das rochas, por onde descem, até ao lago, as águas derretidas das geleiras. Este encontra-se rodeado por montanhas cobertas de neve, dentre eles:
  • o monte Temple (com 3 543 metros de altitude), 
  • o monte Whyte (com 2 983 metros) 
  • o monte Niblock (com 2 976 metros). 


As diferentes atividades de  recreação engloba caminhadas pela região, escalada de blocos e esqui. Existem cavalos em carroças para curtos passeios. Também há cães e trenós. Sinceramente, os dóceis animais não me pareceram muito felizes dentro das suas ´´gaiolas``. Talvez por isso, grande é a alegria deles quando, atrelados aos trenós, podem partir montanhas afora e exercitar os músculos atrofiados dentro dos carros, enquanto esperam. Se por um lado atrai-me ser conduzida por estes animais e experimentar a velocidade deles, por outro lado sinto, seriamente, que poderíamos passar sem, em prol do bem estar da raça canina. No entanto, tudo poderia ser feito de modo equilibrado. A ganância leva a amontoar cães num cubículo e a esquecer que eles também sentem. Puxando ou não pessoas, a corrida estimula-os à alegria, à vida. Expressão que morre quando voltam a um espaço que deprime não apenas o movimento, mas a essência. Se existem leis que protegem os animais, neste caso, não se aplicam. Involuntariamente pensei na lei aprovada em Portugal, que permite levar animais ao restaurante. Pessoas e animais, animais e pessoas. Cada raça com as suas necessidades. Algumas cruzam-se na relação homem-animal. O animal gosta e precisa do homem e o homem gosta e precisa do animal, mas isso não anula as diferenças. O equilíbrio, para quando?




Embora as estátuas de gelo estivessem a descongelar, olhei-as com o mesmo deslumbramento de sempre. O pormenor do artista é fantástico. 
O lago Louise recebeu este nome em homenagem à princesa Luísa do Reino Unido, a quarta filha da rainha Vitória e esposa de John Campbell, 9.º Duque de Argyll e Governador Geral do Canadá de 1878 a 1883. 
O pequeno povoado do lago Louise, chamado igualmente Lake Louise, está localizado ao lado da Rodovia Trans-Canadá, 180 quilômetros a oeste de Calgary. 

No pequena vila existe uma pequeno local de comércio chamado Samson Mall que contém um centro de informação, uma mercearia, uma padaria, uma loja de equipamentos desportivos e estabelecimentos de refeição rápida. A área de esqui Lake Louise Mountain Resort também está localizada na região.

Na costa leste do lago, está o Château Lake Louise, um elegante hotel quatro estrelas, que foi construído gradualmente no fim do século XIX e nos princípios do século XX pela Canadian Pacific Railway.























Neste link, irá encontrar mais um passeio a este lago ↪Lake Louise gelado- 2009









terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

O piriquito

          Conheci-o numa loja de animais. Ao olhá-lo, senti-o perdido no meio de tantos outros pássaros. 
         Gostava de companhia humana. Cantava muito forte quando escutava a água correr. Saía da gaiola mas voltava sempre para lá. Normal. Era a sua sala de refeições. Por vezes escolhia dormir fora😊; alugava os outros vasos de flores. Pela manhã, nunca sabia em que ´´hotel`` ele estava hospedado. Chamava-o e ele respondia. Quando me sentava, olhava-me de lado e voava direto para o meu ombro ou colo. Cantava no meu ouvido. Mantinha boas relações não apenas comigo, mas com toda a familía. 
          No verão ele voava na rua, mas voltava. Era bonito vê-lo levantar voo. Parecia ganhar o céu.  Também participava dos nossos passeios diários, após o jantar. Apreciava a paisagem, ora no nosso ombro, ora na relva. Debicava o que lhe apetecia e voltava a nós. Um dia, após soltá-lo por volta das três da tarde, não voltou mais. Deixei, por umas semanas, a gaiola na varanda, aberta, com comida e água, mas nunca mais voltou. Ou enganou-se na varanda e apanharam-no, ou decidiu procurar pelos seus semelhantes.  Ele conhecia tão bem a casa. Era lindo! Tenho saudades dele, mas se conquistou uma liberdade maior, fico feliz. Quem não gosta de liberdade?

Edmonton- 17 de junho de 2013
           
















O sol de Inverno


Edmonton- Beaumaris Lake. inverno- 2011










domingo, 11 de fevereiro de 2018

Jasper- 2009











Estátua do trabalhador

Esta estátua representa o momento de um trabalhador num intervalo para o lanche.
O termo do café, a chávena e o saco do lanche são feitos do mesmo material usado para a estátua: o bronze.

Edmonton- Downtown - 2010









Lake Louise gelado- 2009

O dia estava lindo e antes de partir, paramos na zona dos trenós. Os cães encontravam-se todos na rua. Latiam a plenos pulmões. Entusiasmados, partiram, galgando os trilhos entre a floresta e quebrando o silêncio das montanhas. 
Foi tudo muito bonito até ao momento em que voltamos para o carro. Começava a anoitecer, os casacos tinham ficado dentro do carro e.... surpresa... o carro estava trancado! E a chave? Quentinha,  no volante, relaxando no ambiente tranquilo e agradavelmente morno! E nós, olhando do lado de fora, espreitando pelos vidros, em plenos pulmões das montanhas sentindo a temperatura a descer, com a pergunta bailando no nosso cérebro: quanto tempo conseguiremos esperar, sem arrefecer completamente?  Não perdemos a calma. Uns dez minutos depois, um jovem notou a nossa situação. Prometeu, assim que chegasse à pequena vila,  enviar alguém para abrir o carro.  Uma vez por outra surgia o pensamento e se o jovem não cumprisse? Esperámos uns quarenta minutos. Foi com grande alívio que recebemos o senhor. Saiu do seu jipe, identificou-se e abriu o carro num abrir e fechar de olhos. Creio que pagamos cem dólares, mas suspiramos aliviados. Felizes entramos no carro, rumo a Banff, acreditando que ainda existem seres humanos que se importam com os seus semelhantes. Grata!