O homem da flauta de pã


Como seda lavrada caíam as horas noturnas
sobre a casa pela gigante figueira abrigada,
para escutarem a hora serena no adeus do dia:
- O grilo completo de talento
 saía da toca espalhando magia.
O homem com a sua flauta de pã,
fina música, historiava o tempo...
Em disciplina a água do rio,
banhava os pés de uma rã,
(humedecendo a sua pele esverdeada)
que sobre a pedra molhada,
abrigada pela gigante figueira,
coaxava em tom baixo
para a lua que serenava no fundo do rio, deitada.
A mansidão e a harmonia da hora,
como uma corda entrançada,
reestabelecia o equilíbrio entre os últimos dias de vida
e a solidão da vida do homem de idade avançada,
que tocava flauta de pã
nas horas noturnas da casa pela gigante figueira abrigada.

Depois de um anoitecer onde tudo se silenciou,
um estranho herdeiro chegou,
à casa pela gigante figueira abrigada,
(um herdeiro que não conhecia a serena melodia)
e não viu nada;
não viu a rã de pele esverdeada,
não viu o grilo com a sua alegria e talento
pois pouco sabia
do homem da flauta de pã,
que na hora serena do adeus do dia,
historiava o tempo.

Eu ainda ouço o som alegre do grilo,
o coaxar da rã
chamando pelo  homem da flauta de pã.

Fernanda R. Mesquita




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