O Joãozinho

Joãozinho já estava a ficar grandinho,
já comia sozinho,
já passara a idade de usar babete...
Mas um dia, no dia em que fazia sete aninhos,
a mãe estranhamente amorosa disse:
- Comprei-te um babete com o número sete.
Hoje tens de o usar. Vá senta-te.
Está quieto,
hoje é dia de festa.
Pronto... assim... toma.
Hoje, quem te dá a sopa, sou eu.
Não vás por nódoa no fato novo...
Não está quente, não vês que estou a soprar?
Bonito, comeu a sopa toda!
Limpa a boca, toma o guardanapo.
Não te amarrotes,
a roupa nova vai parecer um trapo...
Daqui a pouco os convidados estão a chegar!

Não, não comas chocolates...
Só depois de cantarmos os parabéns.
Não passes a mão no cabelo!
Está quietinho,
vais entortar o lacinho!
Quieto não torças o nariz,
vão pensar que nem maneiras tens!
O que foi? Não estás feliz?
O que foi? Porquê essa lágrima?
Não gostas do fato novo?
Não?
Não gostas das senhoras que vieram à tua festa?
Olha que elas têm muitos presentes!
Também não gostas?
Hum...
Olha espera, fecha os olhos!

Um pouco depois,
o Joãozinho ouviu a mãe bater palmas,
abriu os olhos e viu...
Ah, que lindo;
os seus amigos
cheios de sorrisos que pareciam  coloridos balões
e as pernas tão livres dentro dos calções...

Mas porquê esse olhar?
Porquê esse beicinho? Pareces querer chorar!

Joãozinho olhou para baixo...
Como dizer que não gostava da roupa nova?
Nem se podia mexer! A roupa brilhava tanto,
mas tinha um ar tão austero,
ordenava-lhe que ficasse quieto a um canto.
Como dizer-lhe; tira-me isto, não quero!

A mãe que o entendeu
enfrentou o exame critico das senhoras;
retirou-lhe o lacinho,
afinal dava-lhe um ar tão aflitinho,
como se estivesse a explodir.
Tirou-lhe o colete,
pegou na tesoura, cortou-lhe as mangas da camisa
e o Joãozinho começou a rir...
A mãezinha contagiada pela felicidade do menino
arregaçou-lhe as calças até aos joelhos,
retirou-lhe os sapatos de verniz
e deixou-o andar descalço...
E o Joãozinho correu, saltou
brincou como se dissesse,
obrigado mãe por me deixares ser feliz!
Houve um momento que olhou a mãe
que aflita, ao ver o filho parado
já pensava,
-O que foi? O que é que ele está a sentir?
Ah, mas viu o Joãozinho a correr para ela a sorrir,
cair no seu regaço,
estreitando-a num abraço ...
E como ela se comoveu
quando ele lhe segredou;
obrigado mãe, por me deixares ser eu!

Fernanda R. Mesquita





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