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A mostrar mensagens de Outubro, 2017

Profissionalismo para além da aparência ou idade

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8h da manhã. Vesti o casaco, enrolei o cachecol em volta do pescoço, coloquei a mala no ombro, abri a porta. Ao chegar à rua inspirei o ar gelado. Realmente gelado. Era o primeiro dia de primavera. Uma primavera preguiçosa. A neve continuava a cair. Tudo era branco, branco, branco. E tendo os meus olhos limitados ao branco, dirigi-me com cuidado, caminhando sobre o gelo que cobria o chão,  até à paragem do autocarro. Pouco depois ele chegou, parou e eu entrei. Ao entrar aqueceu-me a alma, porque o corpo levaria um pouco mais de tempo,  um grande sorriso e um entusiasmado:
      - Bom dia! Como está?-  cumprimentou o motorista,  a que eu respondi também com um sorriso e um muito obrigado.     Este grande cumprimento, não foi dirigido apenas a mim, mas a todos os passageiros que iam entrando e saindo. Foi como um raio quente, num lugar tão gelado!  Esta simpatia faz parte de um profissionalismo, que tenho o prazer de  encontrar,  não apenas nos autocarros, mas nos mais variados serviços…

Na textura da noite- poemança

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Concluída a Folhinha Poética 2018, que tem como homenageada Nathalie Bernardo da Câmara.

Para baixar a matriz, entre no blog através do link
Folhinha poética
A matriz da Folhinha Poética bem como a do Calendário Perpétuo é composta de 185 folhas A4 com imagens duplas em um só lado. É simples: Imprima, corte as folhas ...


Enquanto dormes- poemança

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O corvo e a tempestade- poemança

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Lágrimas- poemança

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Calendários de poesia por Jorge Amaral de Oliveira Um excelente e altruísta trabalho

O Pandemónio

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O Pandemónio                           Leitura deFernanda R. Mesquita

`` Sou como um assassino que não mata e um ladrão que não rouba... Só eu sei o que passei e o que tive que me humilhar para poder estar vivo hoje, contando como as coisas aconteceram. ´´ ( Zeca Fonseca )

               Este livro viajou do Brasil até aqui a Edmonton, Canadá. Oferta do autor do livro; Zeca Fonseca. Quando abri este livro `` O Pandemónio´´, senti de imediato que a leitura me obrigaria a conviver com certas circunstâncias previstas e imprevistas de um mortal que ultrapassa os limites comuns do território humano. Ele é como um prisioneiro louco sempre pronto a derrubar as grades da sociedade procurando a liberdade  nas várias  celas do alcóol e da droga, que o recebem de portas abertas   e com ardilosas algemas. O livro, escrito na primeira pessoa, pela inspiração de Zeca leva-nos a um diário íntimo,  onde o foco central são os constantes desafios à resistência física e mental. Por vezes, atinge um tão gran…

Saramago

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Se os que  atacam Saramago, pretendem despertar olhares e sentimentos para que cresça o número de inimigos de Saramago, em mim despertaram algo diferente. Se eu já lia Saramago e gostava de o ler, porque a sua escrita me fazia pensar, mesmo que eu não concordasse em certos pontos de vista, passei a ler e a "investigar" mais sobre ele, não apenas como escritor, mas como pessoa.De salientar que esses pontos não eram em grande número.  Ouvi com muita atenção algumas entrevistas dele, inclusive  com o padre, Joaquim Carreira das Neves, biblista, professor de teologia da Universidade Católica. Joaquim Carreira, mostrou-se pouco convincente nos argumentos que apresentava, contrariando-se em alguns pontos. Ao contrário de Saramago, que como qualquer humano imperfeito admitiu o excesso que cometeu em uma ou duas expressões, mas nunca balançou no que acreditava. Afinal que crime cometeu Saramago? Mais uma vez eu pergunto. O de ter tido a coragem de pensar e mostrar publicamente o que…

Leitura de ´´ Cartas a Cassandra ``

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Abrir o livro ´´ Cartas a Cassandra `` e embrenhar-me na leitura de cada história, foi como entrar num salão de espelhos, onde a realidade camuflada de diferentes camadas sociais, está exposta sem ´´mas`` nem ´´ porquês``.  E porque a autora acredita em verdades  insofismáveis, assim ela aborda e desmascara, de modo destemido, a ´´face oculta`` de muitos personagens. Cada página é um espelho impressionante e comum a muitos de nós. Imagino uma careta por parte do leitor enquanto pensa: não, nada nesse livro me diz respeito. Por outro lado, talvez admita que, apesar de tudo, em alguma parte do livro, você está lá. Eu estou. E é muito bom, lermos um livro, que nos encontra, antes de nos reconhecermos em determinada página. Quando falo que todos nós estamos lá, em algum espelho do livro, não significa que sejamos ladrões ou assassinos, mas que tudo isso vive mesmo ao nosso lado e tentamos ignorar. Normal. Cada ser humano segue o seu percurso. Em cada etapa todos nós passamos por angústias…

Entrevista do mês de Setembro de 2014 pela Poesiafa clube

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Quem é a Fernanda R. Mesquita?
Sou portuguesa residente no Canadá, na cidade de Edmonton, Alberta. Apesar de ter nascido e estudado no Liceu de Torres Vedras é da aldeia dos meus avós, onde fiz a escola primária, que guardo as principais recordações. A primeira parte do livro ´´Janelas`` foi inspirado nas recordações que mantenho da infância que vivi lá. Sempre tive que lutar muito na vida e dediquei-me com o mesmo sentido profissional tanto em trabalhos importantes como nos ( como muita gente diria) de menor valor. Para mim todos tiveram o mesmo valor. Creio que a minha dedicação ao trabalho foi quase sempre reconhecida. Sou extremamente simples e extremamente complicada. Simples porque gosto de viver o dia a dia sem artifícios e desligada ( a parte que me é possível) da névoa aparentemente macia e doce do consumismo mas que não passa de uma cela cheia de presentes que nos leva ao pico da fadiga ao querermos sempre mais e mais, porque na verdade esse mais transforma-se em insatisfação p…

´´ Os Manuéis do Manuel ``

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-O que de facto mais me fascina neste conto foi a imaginação de recriar personagens cujas faixas etárias são relembradas como um déjà-vu:          A descrição, detalhes, pensamentos, dificuldades, desgostos, saudosismo, afeição, compreensão, amor, entre muitos outros atributos deste conto, prendem o leitor de tal forma a que as suas emoções ou pensamentos surjam e param no tempo para observar ou concluir algo delas mesmas porque o ciclo da vida não espera... por ninguém: "Não sei quando cheguei a velho. Esta velhice parece ter chegado, na manhã a seguir à noite em que adormeci, sentindo-me eterno"- Eu como leitora faço algumas interpretações:        - A escritora faz uma análise auto-biográfica - A idade do Manuel 80, já com muita quilometragem, vulnerável, frágil, esquecido, com pouca energia, não admite as suas fraquezas ou desânimos e perde-se nos seus pensamentos... pensamentos esses que falam dele próprio: de uma vida recheada de vários "Manueis", o M…

" O Fidalgo da Montanha Rochosa"

      "A inteligência pode tornar-se vaidosa e insensível, se a nossa alma não conhecer a humildade e o amor. Sem humildade e amor, o inteligente será um solitário cego e arrogante, onde o som das suas palavras recairão apenas sobre ele. Passará a ser apenas um bom orador, cujo efeito na plateia da vida será de desdém ou indiferença. Passará a ter apenas como admiradores, ele mesmo e ainda aqueles que não queiram pensar. Pouco lhe servirá a inteligência se desdenhar  e não escutar a voz do sábio. O sábio sabe fazer uso do que sabe, a favor da vida e dos outros. O Mundo está repleto de seres inteligentes, mas pouco sábios. Por isso o Mundo é frívolo e impiedoso."
        In: O Fidalgo da Montanha Rochosa - Fernanda Mesquita
         Sem dúvida um dos Contos da nossa Nanda que nos faz pensar e repensar na maioria das vezes nas nossas próprias atitudes. Por muito que sejamos humildes há sempre o lado negro da nossa existência como seres humanos que somos.         Neste context…

´´ A princesa sem rosto ``

A princesa sem rosto. Uma história muito diferente, cujo cenário é baseado na era medieval, assim como a fantasia é uma patente neste conto.         No entanto, o conteúdo em si é muito importante: a difícil arte de sermos nós próprios. A princesa ao retirar o rosto, procura afastar qualquer possível pretendente - à prior de ser o futuro rei (um cargo que qualquer rapazinho gostaria de ter, não importa o resto) -  em prol de um objetivo criado pelo Rei: manter o reino... Na realidade a fila enorme de gente que ali se encontrava à espera de ser atendido pelo rei é muito similar ao que encontramos na realidade de hoje em dia: quantas e quantas vezes as pessoas não esquecem as suas raízes e conceitos da vida para se tornarem agradáveis a outros? Quantas pessoas não vivem a vida de outras pessoas, ou seja, não me refiro a cusquices mas sim a indivíduos que tentam alcançar o protótipo que a sociedade exige. Indivíduos que vivem com medo da rejeição, vivem um mundo de aparências, assumem varia…

Prefácio do livro Janelas por Carmen Dolores