Aqui



Despeço-me lentamente da noite que se vai,
sinto o dia ainda como sombra encantada
e ouço a chuva que mansamente cai,
acordando inconsciente, a casta madrugada.

Entre a noite e o dia, a incerteza me enlaça,
hora nua,  insensível e de rudes melodias,
saqueia da minha boca, a tal  graça,
que apagaria da minha alma as rugas fundas e frias.

Talvez eu sorrisse contente,
após esta noite  sempre acordada
se visse  o sol nascer no poente
e o sentisse, como eu, estrela desorientada!

Fernanda R-Mesquita



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