sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Leitura de ´´Vamos gozar a vida`` e ´Histórias de Arquibaldo`` de Cezar Augusto Batista




Recebi, há cerca de dois meses, dois livros de Cezar Augusto Batista. Inicio esta minha apreciação sobre as suas obras, pedindo desculpa pela minha demora em responder. ´´ Honestly´´ , como diria o bom canadiano, é um defeito que me acompanha; demorar a responder. Mas nunca é esquecimento e quem me conhece, sabe disso. Deixo cozinhar todas as sensações provocadas pela leitura e, por uns tempos, degusto a companhia de cada texto, cada mensagem e cada personagem. Pois, como qualquer conclusão ou apreciação precipitada, sobre algo, pode empobrecer  o valor das ´´coisas não ditas``, as aparentemente ignoradas, mas presentes nas entrelinhas.
Preciso dizer que me rendi ao bom humor literário do autor. Para partilhar a minha opinião convosco decidi realçar algumas passagens das obras ´´Vamos gozar a vida`` e ´´Histórias de Arquibaldo``.

´´Vamos gozar a vida``

Ri a bom rir com algumas histórias. Uma delas fala sobre um português que queria perder peso. Ao concluir que continuava igual, decidiu despir peça a peça. Conforme se ia livrando delas, pesava-se. Amaldiçoou a balança. Ela continuava a apresentar-lhe o mesmo peso. Pudera; despira-se, mas, mantinha no braço, cada peça de vestuário, incluindo os pertences dentro dos bolsos.
Numa ligeira análise, poderia ser apenas uma história engraçada, mas analisando bem, e foi isso que concluí nas obras de Cezar, cada uma, apresenta uma outra vertente; verdades embuçadas nas culpas que atribuímos aos outros ou a determinada situação, quando os nossos objetivos não são atingidos. Na forma como vestimos e explicamos as nossas derrotas, nem reparamos que cada um de nós tem a tendência para carregar os velhos hábitos, muitas vezes por um suposto conforto ou por vício.
Outro conto que merece destaque é  ´´ Violência doméstica``. Fala de Datena, uma mulher violentamente espancada e estuprada pelo marido. Muito reclama ela! Mas como todas as grandes causas existe sempre o outro lado da verdade. Datena reclama quando o marido a agride e quando não o faz. Alega que sente falta das agressões, que estranha quando ele está calmo. Muito se poderia falar sobre as grandes causas. Elas carregam certos exageros de ambos os lados; dos ofensores e dos defensores. Eu sou a favor do equilíbrio, da defesa de igualdade pelo ser humano. Sei que muitos evocarão os grandes crimes cometidos, ao longo da história, contra o ser feminino. Realidades que abomino e lamento que ainda aconteçam em certas etnias. No entanto, essa verdade, não nos pode levar ao outro lado. Muitas mulheres, aqui no Canadá sentem-se fortes pela proteção que lhes é atribuída e usam e abusam do direito, usando a mentira para obterem o favor dos tribunais. Como disse, sou a favor da igualdade e não de leis que dão força, quer ao homem ou à mulher de abusar do seu semelhante. E para finalizar, a verdade é que infelizmente ainda existem muitas Datenas. 

´´Histórias de Arquibaldo``
´´Mentira para o neto``. Um conto, entre tantos outros que o livro contém, que fala sobre o termo ´´amigo``. Rogério fala para Arquibaldo sobre o passeio que dera com o seu neto e o encontro que tivera com um colega de trabalho. Não fora o encontro que o incomodara, mas a forma como apresentara o colega para o seu neto; como amigo. A isto o neto perguntara-lhe: ele é de verdade teu amigo? Rogério tomara consciência da falsa definição. Não é raro, infelizmente, o atributo de amigo a qualquer conhecido. A palavra amigo é usada das mais variadas formas e por diversas razões. Nem sempre as melhores. Tomemos consciência!
Desculpe-me Cezar pela extensa ´´crítica``. Os seus livros levaram-me a isso e se desse asas a todas as ´´provocações`` dos mesmos, escreveria um outro livro. Muito obrigado Cezar, pela leitura que me proporcionou.



Fernanda R-Mesquita





2 comentários:

  1. Já li todos os livros do Cezar e também gostei, mas lendo seu comentário, Fernanda, até fiquei com vontade de relê-los! Sempre dou boas risadas com os comentários do Cezar.

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  2. Verdade Irene! Também dei uma boas gargalhadas ao ler certas passagens.

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