Quem mora aqui?





Já não és aquele que outrora tanto amei,
que como um sol, me tomou de modo ardente,
aquele a quem ainda ontem me entreguei
e sensual me arrebatou num beijo quente.

Daquele claro amor, depressa te cansaste...
Nesse teu olhar seco que tanto espelha a frieza,
num rigoroso descuido não vês no que me tornaste,
que me perdi ao saltar da alegria para a tristeza.

Que aposento sombrio é esta noite que não tem fim,
onde o segredo não se desvela... é apenas teu.
Enquanto lágrimas loucas se riem de mim,
eu choro o amor que de mim se perdeu.

Estou tão longe de saber quem és agora,
sinto que também já não sei quem sou,
parece que fomos os dois embora
e que aquele amor nunca aqui morou!

Fernanda R-Mesquita



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