segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Ainda que eu durma



Ainda que eu durma,
ao entrar nesta face sossegada da vida,
não te esqueças,
mesmo que esta dor te seja  desconhecida,
que não chegou a hora do teu sono,
que não chegou a hora de parares.
Aceitei o sono calmamente,
mas inquieta
com a lembrança dos teus tormentos,
dos teus inquietantes olhares,
dos teus atentos  e inseguros movimentos...
É muito cedo para ti!
Não deixes que a minha vida
seja marcada apenas pelo dia em que nasci
e por aquele em que adormeci.
Deixa que ela seja a continuação
dos teus futuros instantes,
dos teus  alegres horizontes,
para que não se torne em vão
tudo o que tentei ensinar-te.
Lembra-me com um sorriso,
fala de mim com um sorriso.
Apenas nos separa uma floresta,
um enorme albergue, pleno de sussuros
que lembram até o gesto mais simples
vivido entre nós.
Não chores na saudade.
Sente o estalar dos teus passos
nas folhas secas que despiram as árvores,
mas que ainda assim não caíram.
Quando a noite chegar antes do tempo,
encosta os teus sentidos
à música cristalina de uma fonte
que não morre por cair no leito do rio
e o rio não morre por desaguar no mar
ou por alimentar as florestas.
Tudo se completa no movimento do tempo,
mesmo nas horas que nos parecem tristes e diferentes.
Vive e deixarás que eu continue a viver
na lembrança de tudo aquilo que eu amei!
Esta hora apenas deve ser para ti...
uma hora diferente!

Fernanda R-Mesquita

( de uma mãe para um filho)


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