Bruscamente

Edmonton

Madrugada de escuro brusco e leves ais,
igual à tua imagem que se foi bruscamente,
onde já nem a lua vive e brilha mais
para embalar os meus ais docemente.

Não quero desfolhar bruscamente
os sonhos que construí devagarinho,
quero vivê-los sorrindo alegremente
ou passear por eles, falando baixinho.

E nesta saudade ansiosa que me invade,
veste-me uma trémula e aguda dor,
onde resistem os meus sonhos sem idade,
porque eles querem crer no amor.

O ai que gira dentro do meu peito
é o sentimento real que nasce da verdade
que viver este longe, pouco o aceito,
porque pouco se vive, vivendo na saudade.

Fernanda R-Mesquita

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