segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Chorar? Apenas de saudade, meu amor!


Quero  tornar delicadas
as horas em que espero.
Não quero que as lágrimas calem
o som dos nossos passos.
Não quero tornar a separação
em desespero,
nem  quero que as lembranças chorem em fracos pedaços.

Quero sorrir ao que de  tão belo o nosso amor sentiu,
quer nos dias  em que o sol escaldou,
quer  nas horas em que a chuva caiu.
Perdemo-nos nos mistérios da natureza,
sorrimos com as peripécias de um esquilo,
refrescamos a alma em cascatas de rara beleza,
sempre de mãos dadas, rindo por isto e por aquilo.
Não meu amor, não vou chorar.
Enquanto espero, vou lembrar.
Se chorar, será apenas por saudade, meu amor!

Vou lembrar os dias em que sorri
ao sentir o teu fascínio pelo rio Missouri
e onde a brisa soprava calor.
Ajustámo-nos às longas horas de estrada
em diálogos vivos,
mesmo quando ficávamos calados.
Todas as horas aconteceram
Todas as horas aconteceram
e não sobrou nenhuma para dizer que foi nada.
Não houve paisagem anónima,
não houve horizonte abstracto.


As cabras das montanhas, os veados,
os bois, os cavalos, os pássaros pintados,
os bisontes que saciavam a sede
nos rios ou nos lagos,  que refrescavam
os nossos olhos de terra verde.
Nem mesmo no reino dos índios,
onde a terra se chamava dourada,
onde cheirava a esperança queimada,
a nossa vontade vacilou
e fomos descobrir as terras,  por onde o cowboy andou.
Por mais selvagem e árido
que fosse o horizonte seco e pálido,
uma flor colorida, acolá ou além,  oferecia-se ao vento
numa vontade de ser muito,  mesmo com pouco tempo.
Diante deste entusiasmo, exclusivo da natureza,
que em tão poucos dias nos abriu tantas janelas,
seria uma oferta com sabor a tristeza,
se eu distraidamente, com uma lágrima de dor,
manchasse coisas tão belas!
Chorar? Apenas de saudade,  meu amor!

Fernanda R-Mesquita





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