Eu e esta senhora

Jardim de Devon- 2011

Os meus olhos
dedicam um olhar abatido à paisagem;
maternalmente debruçam-se
para dentro de mim.
Num especial interesse, examinam
as feições das minhas dores.
Talvez queiram ser o árbitro
da cena de pugilato entre a minha vontade
e  a invasora que se atreveu
a ocupar as minhas entranhas.
Eu, baça, fraca e trémula
recuso-me a agir como alguém
que já nada quer.
Não gosto desta senhora
que a qualquer custo quer vencer.
Ela conta-me histórias sem vida,
tenta destruir-me... sentir-me rendida.
Ainda que lá fora  apenas caia
a neve imperiosa,
eu imaginarei um campo verdejante,
rindo e florescendo como amante
de uma ave que voa airosa.

Eu teimo em preencher
todos os recantos do pensamento
com a ternura nítida da vida,
por isso escancaro as janelas...
deixo entrar
os pulmões da natureza,
o coração dos céus
e até a sonolência da lua...

Fernanda R-Mesquita







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