segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Hora vazia


Não saber quem sou e sentir-me assim,
é viver silêncios que emudecem as horas que passam,
é sentir que me perco e dou por mim
presa em amarguras que me amordaçam.

Achega-se como um animal articulado, com patas de cetim
e prende o meu olhar na sua teia, tornando-o tão quieto;
ajeita-se esta hora parasita, alimenta-se de mim
forçando-me a sentir tão longe o que vive tão perto!

Durante o tempo em que baixei os braços,
possuíram-me abalos, quiseram-me mais cansaços...
invadiu-me um sono grande por hoje não querer pensar!

A vida lá fora parece viver de planos traçados,
decisivos traços onde os sonhos lutam alterados...
vejo o amor encarcerado e a glória a violar.

Fernanda R-Mesquita

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