segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Insípida manhã

Sinto na face insípida da manhã
a fina sombra onde se mistura a neve e a chuva.
É como um espelho baço que fala do universo.
Para mim, é como uma fina cortina,
que esconde as flores que ainda não nasceram,
mas que  não demorarão a brotar da terra,
porque na terra, as suas sementes esperam calmamente.
A primavera agora silenciosa, em breve chegará
e desnudará esta paisagem cinzenta,
que hoje, limita o meu olhar em tão
curto horizonte.
O vento deve estar cansado.
Hoje não sopra.
Os pingos de chuva quente que vão derretendo
o gelo que cobre a terra,
mostram que debaixo de um chão gelado
vivem segredos poderosos,
que sustentam a vida das pequenas ervas
que já espreitam  meias vestidas de verde.
Amo a sabedoria da vida,
mas lamento os bárbaros projectos do Homem.

Fernanda R-Mesquita











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