O piriquito

          Conheci-o numa loja de animais. Ao olhá-lo, senti-o perdido no meio de tantos outros pássaros. 
         Gostava de companhia humana. Cantava muito forte quando escutava a água correr. Saía da gaiola mas voltava sempre para lá. Normal. Era a sua sala de refeições. Por vezes escolhia dormir fora😊; alugava os outros vasos de flores. Pela manhã, nunca sabia em que ´´hotel`` ele estava hospedado. Chamava-o e ele respondia. Quando me sentava, olhava-me de lado e voava direto para o meu ombro ou colo. Cantava no meu ouvido. Mantinha boas relações não apenas comigo, mas com toda a familía. 
          No verão ele voava na rua, mas voltava. Era bonito vê-lo levantar voo. Parecia ganhar o céu.  Também participava dos nossos passeios diários, após o jantar. Apreciava a paisagem, ora no nosso ombro, ora na relva. Debicava o que lhe apetecia e voltava a nós. Um dia, após soltá-lo por volta das três da tarde, não voltou mais. Deixei, por umas semanas, a gaiola na varanda, aberta, com comida e água, mas nunca mais voltou. Ou enganou-se na varanda e apanharam-no, ou decidiu procurar pelos seus semelhantes.  Ele conhecia tão bem a casa. Era lindo! Tenho saudades dele, mas se conquistou uma liberdade maior, fico feliz. Quem não gosta de liberdade?

Edmonton- 17 de junho de 2013
           
















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