O piriquito

          Conheci-o numa loja de animais. Ao olhá-lo, senti-o perdido no meio de tantos outros pássaros. Comprei-o com a intenção de oferecer-lhe o passaporte para a liberdade.
         Gostava de companhia humana. Cantava muito forte quando escutava a água correr. Saía da gaiola mas voltava sempre para lá. Normal. Era a sua sala de refeições. Por vezes escolhia dormir fora😊; alugava os outros vasos de flores. Pela manhã, nunca sabia em que ´´hotel`` ele estava hospedado. Chamava-o e ele respondia. Quando me sentava, olhava-me de lado e voava direto para o meu ombro ou colo. Cantava no meu ouvido.
          No verão ele voava na rua, mas voltava. Era bonito vê-lo levantar voo. Parecia ganhar o céu.  Também participava dos nossos passeios diários, após o jantar. Sobre o nosso ombro, apreciava a paisagem, ora no nosso ombro, ora na relva. Debicava o que lhe apetecia e voltava a nós. Um dia, não voltou mais. Deixei, por umas semanas, a gaiola na varanda, aberta, com comida e água, mas nunca mais voltou. Por vezes penso que ele enganou-se na janela e apanharam-no. Ele conhecia tão bem a casa. Era é lindo! Tenho saudades dele, mas se conquistou uma liberdade maior, fico feliz. Quem não gosta de liberdade?
              Se pudesse compraria todos os pássaros engaiolados. Uma vez que não posso criar uma lei que proíba a construção de gaiolas para aves. 
           
















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