Quando a amizade sabe a traição...


         
            Quando a amizade nos magoa, a nossa alma chora. Chora tão triste que as próprias lágrimas se fazem sentir no nosso ser como pequenas espadas afiadas. E como são tão duros esses golpes que nos fazem sangrar e sentir o sabor amargo da traição! Sentir que a confiança que dedicamos, teve como resposta uma melodia de sons vazios, isentos de sinceridade e honestidade, pode-nos deixar dormentes e incapazes de refletir. Não é apenas a dor provocada pela ação de quem nos magoa, mas também a sensação amarga ao sentir que somos incapazes de voltar a acreditar. Uma brecha perigosa pode abrir-se em nós e deixar entrar o rancor. Por sua vez, o rancor espalha-se palpitante e desassossegado, roubando-nos a paz e impedindo-nos de continuar a sentir a vida em todo o seu esplendor.  São nesses momentos que toda a nossa força, como seres humanos, é posta à prova.
         Tornar possível uma análise a todo o comportamento dessa pessoa, nos permitirá concluir, ou não, se foi um erro que a imperfeição humana pode desculpar ou se foi uma dessas tão grandes maldades que nem o reconhecimento de que somos humanos imperfeitos, consegue entender. Então, deixarmos que a paz com os seus sabores doces nos invada e nos acompanhe pela estrada da vida, é o mesmo que escolhermos o nosso caminho, conscientes que teremos de ter forças para remover pedras de tropeço ( porque elas existem ) e dar a oportunidade a que pedras preciosas se cruzem e permaneçam connosco!

Fernanda R-Mesquita

Carta à traição- 2001

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