Túneis em espiral, a Oeste das Montanhas Rochosas, na província de British Columbia, Canada

 Para além de toda a história que nos é apresentada nos painéis expostos à beira da estrada que corre entre as montanhas, existem as histórias que podemos imaginar e sentir ao retirarmos os pés do carro. Ao pisarmos o solo podemos sentir vontade de dar uma volta completa sob os calcanhares para podermos, em todos os ângulos, visualizar as montanhas, cerradas de segredos e cortadas por túneis que parecem guardar o suor dos quantos os construíram e talvez tenham vivido, não apenas a aventura de participar num evento tão importante, mas provavelmente o sabor de momentos bem dramáticos. Resta-nos o privilégio de podermos seguir o trajeto do longo e estreito comboio, cujas carruagens obedientemente seguem a primeira mesmo que esta já se ouça, vencedora a sair de um túnel e a última ainda esteja a sair do túnel anterior. É como que um filho que foi gerado no ventre das montanhas e nunca tenha desejado crescer com o pretexto de poder morar e passear nele eternamente. 





 Este é um dos túneis que podemos apreciar deste ponto 
Esta é a maquete exposta para explicar todo o trajeto da espiral dos túneis. 
 Esta é a peça da caldeira que rebentou e que está assinalada na foto acima 

Quando o Spiral Tunnels da Canadian Pacific Railway foram abertos ao tráfego em 25 de Agosto de 1909, foram saudados como uma das grandes maravilhas da engenharia da época. Estes túneis tiveram como grande inspiração, os túneis Baischina Girge, da Ferrovia St.Gotthard na Suíça e foram desenhados pelo engenheiro John Edward Schwitzer, dos quadros efectivos da Canadian Pacific Railway 
Em 1884, as equipas de construção da Canadian Pacific Railway depararam com um grande problema para a continuidade da construção da linha do Pacifico ladeando o rio Kicking Horse, devido à grande inclinação da montanha Ogedan e da montanha Catedral, em pouco espaço. Mas mesmo assim decidiram continuar a linha com um acentuado declive de 4,5%, para poupar tempo e dinheiro. A construção continuou em condições climatéricas muito adversas, onde as temperaturas chegavam aos 40 graus abaixo de zero e onde se registavam sistematicamente grandes avalanches de neve. 
Em 1900 com o aumento do tráfego na linha, e até porque era bastante perigosa, tornou-se imperativo que o forte declive da linha fosse eliminado. Os engenheiros foram confrontados com a falta de espaço nas encostas e depois de consideradas várias opções, resolveram construir dois túneis em espiral através da montanha e assim o forte declive de 4,5% passou a ser apenas de 2,2% passando a linha a ter mais 12,5 km de extensão. Com esta melhoria as locomotivas deixaram de trabalhar com quatro motores e passaram a trabalhar apenas com dois, com as vantagens de poderem ser transportadas cargas muito maiores e o perfil do traçado se tornar muito menos perigoso e muito mais cómodo para quem viajava. Esta foi na altura considerada uma das grandes maravilhas da engenharia canadiana que foi construída a título provisório , mas que esteve a funcionar mais de 25 anos. 





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