Uma manhã de domingo


Julho 2012

          Em Edmonton, na Av.108  com a rua 95, porta n.78, há um café italiano; Spinelli Italian Centre Shop.  Um simples lugar, onde cada vez que entro,  sinto-me envolvida por  raízes que eu não conheço. Talvez um capricho ou um enigma da alma que se diverte, levando-me a lugares aparentemente recheados de banalidades,  mas onde se concentram vidas que tentam não definhar na monotonia. Gosto de olhar quem ali entra. Talvez, alguns, procurem o local, empurrados inconscientemente pela necessidade em manter uma ligação íntima com o passado, mesmo em conversas perdidas num café, longe da terra natal. Vozes que se atropelam e falam de histórias. Tentam mostrar o quanto sabem. Pouco importa se as vozes se atropelam. É um lugar onde  entramos por prazer, ficamos por prazer e saímos de lá com o prazer consumado pela partilha de um aroma diferente, numa cidade enorme que, por vezes, nos faz sentir tão mínimos. O serviço rege-se pela simplicidade e pelo ambiente familiar. 
   
***
      Naquele domingo havia algo mais que tomar um café ou comprar alimentos.  Dentro da mesma simplicidade enquadrava-se a paisagem do outro lado da estrada; atração preparada pela câmara da cidade, para quem quisesse participar. Atravessamos a rua 95 e entramos no parque verde, espaço pertencente à comunidade italiana e oferecido à população. E foi nele que encontramos um domingo diferente para todos. Foi com prazer que nos integramos por entre o público diverso e completamente misturado. Senti-me um pouco mais inteira.  Fui tomada pela sensação de pertencer a uma raça que, por um dia, compartilhavam o mesmo espaço, unidos pelas diferenças. Por outro lado, aumentou a evidência das falhas da sociedade.
      Um dia, um espaço, crianças, polícias, bombeiros, muitos sem abrigo,  alguns  deles descendentes dos índios e vários voluntários oferecendo café, água, sumos e alguns alimentos.  


O parque infantil ao dispor dos mais novos o ano inteiro


Um carro policial junto a uma tenda dos índios
Um carro policial onde as crianças entram e certamente brincam aos polícias e ladrões e onde o polícia dá explicações com um sorriso no rosto




          Esta foi a tenda mais interessante. Para mim, claro. Ela  expunha um pouco a história dos índios, vítimas do egoísmo dos brancos. O primeiro quadro fala das crianças índias, as maiores vítimas de discriminação e abusos.
            Existe em mim a esperança de que estas crianças, dispostas a partilhar aquele dia em plena harmonia com gente classificada ´´diferente`` pela sociedade ao longo da história humana,  cresçam com o conceito de que somos todos feitos da mesma matéria, apesar da complexidade do ser humano. Muito obrigada ao jovem, que tão gentilmente, permitiu as fotos, inclusive a dele. 











          A estátua do homem que deixou o legado das lojas Spinelli, deixando o calor do sul da Itália em 1051 para tentar a sua sorte nas congeladas minas de prata do Yukon. Em 1959, Frank começou por vender revistas italianas, bebidas pop e chocolates. Os clientes, sobretudo italianos, foram aumentando e crescendo os pedidos para que ele vendesse alimentos típicos de itália. Pode saber mais seguindo o link: Italian Centre Shop











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