Apresentação


Nasci em Portugal a 11 de Fevereiro de 1961. Vivo no Canadá na cidade de Edmonton, capital da província de Alberta, onde tenho o estatuto de dupla nacionalidade luso-canadiana.
Tenho participado em muitas antologias, quer de contos, quer de poesia. Editei alguns livros de poesia.
Colaboro na revista Ponto & Vírgula. Revista coordenada por Irene Coimbra e no blog
 Ponto & Vírgula
Autora dos blogs:Laços de poesia
e
Juntando espigas
juntandoespigas.blogspot.com/
O livro de escritas org.
Poemas - Escritas.org

Escrevo no Portal da literatura

1961 - Guerra Colonial, Guerra do Ultramar ou Guerra de África.


“Vivi a ditadura e o dia em que nos libertamos dela.
Da História de Portugal antes do 25 de Abril? Até então, eu a conhecia através da matéria que dera na Escola de Ensino Primário e no Ciclo Preparatório. Matéria apenas para decorar. Era proibido sentir e levantar questões. Guardo na memória a sala de aula na pequena escola da aldeia. Sem que me apercebesse, tudo ali era comandado pelos ideais políticos de um só homem; Salazar. Todas as manhãs, antes do início das aulas, ficávamos de pé, solenemente direitos, para cantar o Hino Nacional. Este ritual obrigatório, estendia-se e fazia-se sentir em toda a nossa educação. Muito mais tarde, viria a entender a presença da enorme cruz, no meio das molduras escuras, com as fotos a preto e branco do Presidente da República e do Presidente do Concelho.
Até ali, Salazar não passara de mais um personagem nas histórias que o meu avô contava. Anos depois compreendi o verdadeiro significado do tom mais baixo que ele usava quando falava do Estado Português. Algumas vezes, em jeito de segredo, dizia para a minha avó: “Fulano falou demais e ninguém mais soube dele.”
A minha entrada no Liceu coincidiu com a chegada da liberdade. Não foi fácil a adaptação. Fui aprendendo que a liberdade não depende apenas de um estado político.

Celeste e Francisco- A junção dos dois foi a ferramenta para que eu aprendesse letras, arrumasse palavras e as desfiasse em histórias

            É um facto que ocorre com demasiada frequência; assistirmos, quietos, à fantástica derrocada dos nossos sonhos, dos nossos ideais.  São simplesmente engolidos pela máquina da sociedade que se organiza à margem da lei do respeito por aqueles (nós) que a mantêm de pé. Formam um código verbal que nos prende a regras mafiosas e tradições caducadas. Infelizmente a nossa falta de coragem para dizermos ´´ não `` leva-nos a duplicar a nossa personalidade e embora nos continuemos a ver e a tocar, não passamos de fantasmas. Pois o que será um homem sem sonhos? Liberta-me a palavra escrita e é nela onde desejo encontrar-me.    

Todo aquele que gosta de escrever que o faça, tendo sempre consciência do valor que tem, num juízo justo, respeitando e aprendendo com aquele que usufrui de verdadeiro talento, tentando não copiar mas criar, porque é na criatividade que fica um pedaço de cada um de nós.



Fernanda R-Mesquita




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