Exercício entre as diferenças ( narrativas )

     










 Irritação

                De tempos a tempos sinto uma certa irritação, um cansaço que não facilita o meu encontro com um grupo de vozes.  Entrei no café como faço habitualmente. Mas nem sempre trago o cansaço e a insatisfação da rotina diária tão vivas como hoje. Como me cansa a rotina! Não sei o que acontece. Parece-me que quanto mais luto contra ela, mais ela me derrota. É como uma batalha, onde os adversários apresentam grande habilidade para me atraírem à guerra. Sinto-me enrolada por uma teia que me atira sem direção. Enrolo-me, embrulho-me. A zonzeira é tanta que para além de tornar o meu corpo dormente, altera-me a mente. Discernimento? Defesa? Não sei onde foram parar. E devido a esta mudança, a minha hora alinhou-se numa vibração inferior. Se o que senti hoje, pudesse ser visto pelos outros, eles presenciariam impulsivas energias a quererem criar um lugar apenas meu. Se eu queria privacidade, porque vim até um lugar público? Teriam o direito de perguntar.
           Apenas um grupo de três homens conseguiam dominar todo o espaço do café. Os três diferentes sotaques importunaram-me tanto que peguei na chávena do café e fugi para a esplanada. `` Há males que vêm por bem ``, pensei, apreciando a mudança de paisagem e sentindo o sol. Sentei-me na mesa mais afastadas das demais mesas e soube-me bem, tanto a cor como a maciez das almofadas vermelhas que adornavam as cadeiras de ferro. A paisagem não era das melhores. Quase aos meus pés estacionavam os carros e a cinquenta metros passava o agitado tráfego da rua 97 que cruza com a avenida 153. Embora eu não goste do som das grandes cidades, hoje soou-me mais macio do que as vozes dos três homens. Apeteceu-me um segundo ``expresso´´. Coisa rara. Entrei de novo no café. Com alívio vi que os homens se dispunham a ir embora. Já com  a segunda chávena de café, sentei-me de novo  na esplanada. Ironia! Os meus três inimigos do momento, hospedaram-se na ``minha´´ esplanada. Tão perto da minha mesa. Tateei dentro da minha mala de mão e persegui o pequeno bloco que parecia fugir entre tudo o que uma mulher normalmente guarda dentro de uma bolsa. Comecei a escrever. Os homens continuavam a falar e a rir. Falavam, riam e olhavam para mim. Talvez esperando que uma mulher sozinha se envergonhasse por estar ali, perto das conversas dos homens ou talvez quisessem sentir alguma simpatia da minha parte. Muito amiúde passavam pessoas a pé. Muitas mulheres árabes. A maioria envoltas em longos e pesados trajes negros. Nunca consegui decifrar o olhar de uma dessas mulheres. O desenho dos olhos, feito no tecido, parece cortar qualquer sentimento, tão ausente de vida assim como a tesoura que cortou tais orifícios. Os olhos parecem ficar tão longe, tão fundos! O salto do país delas para um país de completa liberdade, como é o Canadá, não tem o impacto suficiente para que elas tenham, num arrebatamento de coragem, rasgar a cortina que as separa da liberdade.
        Abandonei o local, meia hora depois. Os homens também. Entrei no carro. Suspirei. Sorri. O que faltou naquele casual encontro, entre mim e os três homens? Apenas um pouco de equilíbrio. Eles deveriam trazer doseada a educação e eu a tolerância. Sorri de novo. Ri de mim mesma. Eles nem sentiram a minha impaciência, a minha sofreguidão por sossego. Tanto que, assim como os encontrei quando entrei no estabelecimento público, assim eles se mantiveram até abandonar o local. Eu é que senti a minha irritação. Apenas eu.

        ( 21 de Julho 2017, Edmonton, Canadá )

   









***
 A mentira é um doce nos ouvidos de alguns

         - O meu marido esta noite ficou doente e a culpa foi sua.
         Os olhos da jovem empregada, tremeram diante da acusação.
        - Sim, vocês sabem que o meu marido só pode beber leite com zero por cento de gordura e ontem, você colocou no café dele, um leite mais gordo.
        - Desculpe, mas nós aqui, não usamos leite com zero por cento de gordura- respondeu a jovem, tentando ser honesta.
        - Usam, sim. As suas colegas têm sempre esse cuidado.
        - Torno a repetir, nós nunca temos esse tipo de leite aqui. O máximo que elas podem fazer é misturar o leite de um por cento com o de dois por cento. E, na verdade, é o que elas costumam fazer- reafirmou a rapariga, apostando, inocentemente, na sinceridade.
        - Não é nada. Foi a primeira vez que o meu marido teve problemas aqui, depois de beber o café com leite servido por si.
        - Então, desejam tomar o mesmo de sempre?
        - Sim, mas use, por favor o leite  sem gordura- insistiu a cliente.
        - Já lhe disse que não temos esse leite. Garanto-lhe que hoje mesmo o vou comprar e amanhã o seu marido será servido com o leite de zero por cento-  respondeu como se sentisse que lhe estavam a asfixiar as narinas.
        - Hoje queremos apenas um chá- retorquiu a cliente, claramente indisposta com a situação.
Dora, a empregada, com mais vontade de desaparecer do que trabalhar, voltou as costas e fez os dois chás. Normalmente fazia o turno da noite. Os hábitos dos clientes do turno da noite, ela conhecia-os todos, mas não os costumes ou  manias, dos clientes da manhã.
        - Bom dia. Este leite é zero por cento. Eu mesma fui comprar- informou, ela, ao servir o casal, na manhã seguinte. Eles não responderam.
Dora não foi despedida, nem se despediu, mas teve que enfrentar o sermão do patrão e o desconforto dos sorrisos e dos cochichos permanentes, entre o casal e as colegas. Cada manhã, assim que acordava, fazia uns exercícios de respiração e pensava num bom motivo para ir trabalhar.
Diante do espelho, prometia a si mesma:
       - ´´Eu seja ceguinha se não hei-de arranjar uma máscara, onde fermente um sorriso às coisas mais patéticas. E hei-de trazer os clientes com o sorriso mais idiota do mundo nos queixos. Cada um será como enfrentar um longo sinal vermelho... tolerância, até que abra o sinal verde- riu- ah e na hora em que só entram queixos de sorrisos idiotas-  riu de novo. Nunca tinha visto o café daquele ponto de vista; queixos rindo hipocritamente. Só queixos rindo. Queixos sem corpo, sem identidade. Queixos que gostam de mentiras que os façam rir e transparecer uma falsa importância, na esperança que de tanto fingir, se torne realidade. Riu ao ensaiar ser um queixo sorrindo pateticamente.
        - ``Sim, hei-de ser um queixo tolo como as minhas colegas e patrão e não haverá queixo que se queixe de mim``- riu de novo. Mas que paciência teria que ter para tanta tolerância. Fez um queixo triste:
       - ``A mentira é um doce nos ouvidos de alguns.`` O queixo sorriu ao ensaiar:
       - ´´  Bom dia, minha querida cliente. Aqui está o café do seu marido com leite zero por cento``. E o queixo da senhora sorrindo agradecida. Depois levantou o queixo e ainda diante do espelho prometeu:
       - ´´ Em breve serás um queixo vitorioso``.


***


Não preciso de sacos

                Ele tentava mostrar que não aderia a certos modernismos que nos levam a exagerar em consumos desnecessários. A caixeira da loja do Dollarrama, esperava nervosa e olhava para mim como se me pedisse desculpa pelo tempo de espera. Enquanto isso ele, repetia:
                - Não quero saco, não preciso de saco.
                Tentou enfiar um dos produtos que comprara num dos bolsos laterais das calças. mas não cabia. Tornou a afirmar:
                 - Não preciso de saco. 
                  Experimentou colocar um outro produto em outro bolso. Repetia .
                  - Não preciso de saco. 
                  Acabou por pagar, sem retirar as compras da passadeira. Olhou para mim, pediu desculpa e repetiu:
                  - Não preciso de saco. 
                   Retirou as chaves do bolso. Guardou a carteira. Tshirt vermelha, calções azuis, chinelos vermelhos. Reconheci as peças facilmente. Elas estavam em exposição, dentro da loja, a dois dólares cada. Com as chaves enfiadas no dedo indicador, foi usando a mesma mão para empilhar as compras
sobre a outra mão. Entre  o peito e a mão tentava  arranjar lugar para todos os pertences. Uma madeixa de cabelo  teimava em fazer-lhe cócegas na testa suada. Com os lábios tentava enviar um sopro fresco para empurrar a teimosa madeixa loura. Um olhar fugaz, sem se concentrar em ninguém. Uma vontade íntima, ensimesmada em cumprir um objetivo. Um sorriso meio comprometido aflorou nas faces queimadas pelo sol:
                - Eu não preciso de saco- disse virando-nos as costas. 
                 Um segundo depois. Sei lá! Um segundo parece tão rápido! A verdade é que a rapidez da cena, pareceu um segundo. Um dos objetos caiu no chão. Ele baixou-se. Ao tentar recuperar um dos  seus pertences, outros dois caíram. Numa façanha malabarista, arrumou tudo de novo. Usou o queixo como ajudante, enquanto apertava as compras contra o peito. Voltou- se para nós.  Sorriu, mostrando a total falta de dentes e repetiu:
                 - Eu não preciso de sacos. Ninguém liga para a poluição; eu ligo.
Olhei-o enquanto atravessava a porta e chegava ao seu carro tão maltratado quanto o dono. Arrumou as compras e a encostou-se ao carro. Acendeu um cigarro. Relembrei a sua última frase:
                -Tem pessoas que não ligam para a poluição da terra. Eu ligo... 
                Eu não fumo. Tenho uma coleção de sacos ecológicos comprados propositadamente para ir ao supermercado.  Mas nunca os levo. Ficam em casa. Raramente me lembro deles. O Sr. que não precisa de sacos, deveria deixar de fumar. Eu que não fumo, deveria criar o hábito de levar os sacos de casa. E ambos estaríamos a cumprir o nosso dever. Aliás, estaríamos a usar o amor. Amor próprio, amor ao próximo e para com a terra.
               As pequenas atitudes não são insignificantes. A aparência ou a vida da pessoa não é razão  para nos desculparmos. Tudo o que nos rodeia, nos afeta de modo positivo ou negativo. Essa linha de separação que tentamos manter, para definirmos o nosso lugar, não é tão forte como queremos fazer parecer. 
            A verdade é que, no dia seguinte, quando cheguei à caixa do supermercado e quando a empregada me perguntou:
              - Deseja algum saco? 
              Eu respondi:
              - Não.
              Na minha mente ainda vivia a frase; eu não preciso de sacos!

***
 Andorinha 


        - Olá Andorinha. A apresentação do meu primeiro livro de poesia é depois de amanhã. Gostaria tanto que estivesses presente.
        - Não posso.
        - Mas Andorinha, depois de amanhã é sábado.
        - Eu sei, mas é dia de compras, limpar a casa, etc, etc...
        - Mas tu gostas tanto de livros
        - Gosto? Não. Adoro! São uma das minhas maiores paixões.
        - Se mudares de ideia, já sabes o local e a hora.
        - De qualquer modo, muito obrigado por te lembrares de mim.
        -  Como poderia esquecer alguém que adora livros, ama poesia e é minha amiga? Tem uma boa noite.
        - Boa noite- respondeu Isaura, desligando o telefone. Esticou as pernas e continuou a ver o filme,
          No dia seguinte. Seis da tarde. Abriu a mensagem que acabara de chegar no seu email. Sorriu. Lá estava ele, o seu amigo. Enviara-lhe um pequeno vídeo. As habituais calças de ganga e camisa aos quadrados não encobriam o novo brilho no rosto. No olhar, a pressa vertiginosa de saber a opinião dos leitores. Se todos conseguissem traduzir o seu estado de alma, até o leitor mais calmo seria atropelado pelo desejo de chegar ao fim do livro. Embora ele tivesse atingido a meta ao concluir a obra, era notório o medo nos dedos trémulos que pareciam querer arrancar a tribuna do chão. Ela sentou-se no sofá para apreciar melhor o amigo. Esboçou um sorriso, provocado por uma certa piedade. Sonhava alto o seu amigo. Ele trabalhava numa fábrica que o convidava a engordar o ordenado com horas extras. Sempre que solicitado, respondia: ´´Não posso. Preciso de tempo para escrever.``
        Uma semana depois, lá estava o livro nas mãos dela. Abriu e parou na dedicatória: ´´ Para uma amiga importante, algo importante de mim; o meu primeiro livro``. Sorriu ao livro acabado de chegar pelo correio. Superficialmente leu alguns títulos e fechou o livro. Levantou-se e arrumou-o na estante. Cabia perfeitamente no espaço vazio.
        No segundo ano o mesmo convite, um outro livro. As mesmas razões para faltar ao lançamento e para não ler a segunda obra de João. O mesmo sorriso de pena e um pensamento idêntico: ´´ Que teimoso, que sonhador. Continua a recusar as horas extras e a gastar nisto o pouco que ganha``.
Dez anos depois.
        Isaura abriu o computador. No facebook parou diante de uma notícia: Grande prémio de poesia atribuído a João R. Mesclado. ´´Mesclado, Mesclado... mas é o meu amigo João``. Sorriu. Levantou-se e foi até à estante. Se não fossem as lides diárias que a levavam a limpar  tudo na casa, os livros estariam completamente cobertos de pó, tal fora o esquecimento que caíra sobre eles. Decidida, guardou os livros na mala. Iria à cerimónia. Queria ver o amigo receber o prémio.  Ah, que vontade de gritar em cada esquina que o seu amigo ganhara um prémio. Exibir os livros enviados por ele. E escutar a pergunta :´´João Mesclado é teu amigo? `` e responder: ´´Sim, até tenho livros dele, enviados por ele.``
        No dia da entrega do prémio:
       - Olá João. Parabéns pelo prémio. Olha trago comigo os teus dois primeiros livros. Nunca mais me enviaste nenhum. Perdeste o meu endereço?
       - Entre um voo e outro, o sonho desce até às calçadas humanas, procura sementes e convida-as a voar. A maioria não vem; primeiro precisam questionar e averiguar a existência das asas.  
       - É para um novo livro?
       - Não.  Está no segundo livro que te ofereci.  

       Isaura tentou arranhar a capa e amarrotar as folhas dos livros; envergonhava-se do cheiro a livro novo por abrir. Ele riu, abraçou-a e sussurrou: ´´Andorinha, apenas andaste de olhar distraído. O mundo de dois amigos nem sempre tem que ser o mesmo. Os fios da nossa  história juntaram-se hoje, nem vamos perguntar por quanto tempo.`` Ela respirou aliviada; a memória do seu amigo era apenas o presente. Sentiu-se semente levantada, andorinha com a garganta nas asas, libertando a mania de encadernar a verdade com a capa errada.

***
 Preguiça de amar

       Maria Clara, levantou os olhos do livro e levando a chávena do café aos lábios, sorriu e pensou:
       - Que bonito! Faz-me lembrar quando os meus filhos eram pequenos. Aos domingos, entrávamos rapidamente num café, comprava um bolo para cada um e todos felizes saboreavam o doce, rumo à praia. E como eles pulavam no banco de trás, exclamando:
       - Olha, mãe, o mar já tá ali. Vamos fazer castelos na areia!
      E Maria Clara, continuava a sorrir, apreciando o quadro formado pelas duas jovens mães e pelas duas crianças, que tinham acabado de entrar no café. As meninas, entre os quatro e cinco anos de idade, pediram:
      -Eu quero um gelado!
       - Eu quero um chocolate!
      As quatro, sentaram-se, não muito longe da mesa de Maria Clara. Ocuparam as quatro cadeiras de uma mesa. As duas jovens mães trocaram algumas palavras. Não por muito tempo. Rapidamente transformaram os telemóveis numa muralha entre elas e o restante ambiente. A um dado momento, partilharam um sorriso. Um sorriso curto. De novo a muralha; a fome pelas  novidades  do mundo on-line.
       - Mãe, já acabei o meu gelado- disse a criança, agarrando o braço da mãe e mostrando o copo de papel.
       - Mãe- disse mais uma vez, abanando o braço da mãe.
Nada. A mãe apenas sacudiu o braço, como quem tem a intenção de se livrar de algo que a está a incomodar.
       A menina levantou-se, dirigiu-se ao balcão e entregou o copo à empregada.
     - Como te chamas? Eu sou Luísa e a minha amiga é a Cristina. Isto é  para o lixo- explicou a menina.
       - Eu sou a Margarida. Muito obrigado- agradeceu a moça, sorrindo.
       A criança, voltou para a mesa e agarrou de novo o braço da mãe:
       - Mãe, quero ir para o parque brincar.
       - Está quieta e espera- respondeu-lhe a mãe, sem levantar os olhos do telemóvel.
       A pequena Luísa começou a dançar. Olhou para a amiguinha Cristina e disse:
       - Deixa-me provar o teu chocolate. A outra esticou o braço e ofereceu-lhe o chocolate.
       - É doce- respondeu sorrindo- sabes, o açúcar também é doce. Queres provar?
       - Quero.
      Deitaram-se debaixo da mesa. Luísa abriu um pacote e deu à outra. Ambas rasgaram os restantes pacotinhos e sugaram o açúcar. Ao açúcar, misturou-se o papel húmido dos pacotes. Foi uma festa. O chocolate, ora no chão, ora na boca das meninas e os pacotes de açúcar desfeitos e espalhados por todo o lado, inclusive nos cabelos. Riam.
      - Quase uma hora depois, as mães levantaram-se, olharam para as filhas e uma delas exclamou:
      - Mas, como ficaram assim? Olhem para esse cabelo, essas mãos, essa roupa...
     - Cansativo sair com crianças- exclamou a outra, acrescentando- ah, olha as horas! Está quase na hora do cinema. Ainda temos que as deixar na minha mãe!
    - Vamos, despachem-se. Chega de brincadeiras. Só sabem fazer asneiras- resmungaram, saindo apressadas.
    Maria Clara olhou, com uma certa tristeza, a zona anteriormente ocupada pelas crianças. A empregada varreu o chão, apagando qualquer vestígio das recém clientes. Disposta a esquecer esta cena, inclinou a cabeça sobre o livro.  Mas, uns dez minutos depois, entrou um jovem casal com uma menina, talvez com uns cinco anos. Sentaram-se os três, por ironia, exatamente na mesma mesa, onde as anteriores protagonistas se tinham sentado. Cada um, com o respetivo café e a filha com um gelado.  Do rádio, saía o som de música salsa. Maria Clara expôs, de novo, os seus sentidos, nos novos protagonistas.
      - Olha querem ver os passos que eu sei?- perguntou a menina aos pais.
      Os pais olharam a menina. Esta, elevou os bracitos,  movimentando as mãos ao ritmo da música.
      - Olhem para os meus pés- pediu ela, exibindo uns passos engraçados.
      Uns minutos depois, a menina olhou para os pais e revelou tristeza no olhar. Eles, concentrados nos telemóveis, não a viam. Sim, e por isso, nem repararam quando a menina se deitou  no chão e ficou o tempo todo mordendo uma das pernas da cadeira, onde a mãe se encontrava sentada. Enquanto os dentes se mantinham na perna de ferro, fixava a mãe, continuando a acompanhar a música, com as mãozitas.
      - Catarina, o que estás tu a fazer, aí deitada, no chão? Não podes sair de casa, tu...- resmungou o pai, uns trinta minutos depois.
    - Vamos comprar uns hambúrgueres. Ela vai para a cama cedo e nós vamos ver um filme, tranquilos- propôs a mulher.
       - Boa ideia- concordou ele.
         Ali perto, havia um jardim e um lago. Maria Clara estendeu o seu olhar até lá; uma  mãe gansa, seguida pelos seus alegres gansinhos, atravessava todo o jardim, em direção a um banho em família. A mãe gansa, entendia, que o dia de Verão requeria um bom passeio pela natureza. Sorriu, por duas razões; porque os seus cinquenta anos ainda se encantavam com o andar elegante de uma família de gansos e porque os animais ainda continuavam a passear por jardins reais. Relembrou uma frase de Mário Quintana: “A preguiça é a mãe do progresso; se o homem não tivesse preguiça de caminhar, não teria inventado a roda.” Terá sido um pensamento irónico ou de uma verdade, confirmada pela vida moderna? Ela ainda não concluíra se concordava com a frase ou não. Pensou:- Muitas são as vezes, em que acusamos o avanço da tecnologia por forjar os valores do relacionamento humano, sobretudo familiares. Será que este agradável e útil atalho para muitos destinos, com a capacidade de aproximar o que está longe, revela a preguiça de amar o que está perto?


    
***
 Desculpe, não quero ser desagradável


        Uma esbelta jovem de longos e escuros cabelos, que lhe emolduravam o rosto de pele clara e suave. Os olhos ligeiramente maquilhados; lápis e rímel preto. O casaco de malha azul, comprido e sem mangas deixava ver a curta camisa preta, a tocar o cós das calças de ganga azul, revelando a elegante cintura. Um belo rosto aliado a um estilo simples de vestir. No entanto, os movimentos caprichosos do corpo, denunciavam a convicta expressão: ´´ tudo posso, em tudo mando``, quebrando um pouco a beleza do seu próprio retrato. Virgínia entrou no café, acompanhada pelo seu pai. Alberto, de cinquenta e nove anos, bem conservados e com ar de quem usufruía de uma vida estável, pediu um café  para ele e um café e um gelado para a filha. Esperou no balcão pelos respetivos pedidos e ele próprio serviu a filha, já sentada numa mesa.
        Quase de imediato a jovem levantou-se:
        - Desculpe, pode colocar mais água no café?- perguntou ela à empregada.
        A empregada sorriu e assim fez.
        Uns cinco minutos depois dirigiu-se de novo ao balcão:
        - Desculpe, não quero ser desagradável, mas pode deitar um pouco de café no meu gelado? Está gelado demais.
          A empregada sorriu e assim fez.
        - Vamos para uma mesa lá fora- disse a rapariga para o pai, sem se sentar. Voltou-se de novo para a empregada e como quem dá uma ordem e não como quem pede, disse:
         - Desculpe,  mas precisamos de um chapéu  para uma das mesas da esplanada.
        - Mas hoje está um pouco de vento. Penso que, lá fora, não está muito agradável.
        - Não vê o  sol que faz? Que desperdício ficar aqui dentro. Quero apanhar um pouco de sol.
Na esplanada, sentados frente a frente, o pai bebia o café e a filha falava. Apenas falava ela. Nos olhos do orgulhoso pai, viviam as histórias contadas pelo amor paternal. O epílogo de todas essas histórias era sempre o mesmo: a sua princesinha era perfeita. Depois de uns curtos dez minutos, eles entraram de novo no café.
        - Desculpe, não quero ser desagradável, mas está um vento insuportável lá fora. Melhor será ir buscar o chapéu. Ah, mas antes que vá, poderia dar-me mais uma bola de gelado? Entretanto, este ficou demasiado liquido.
        -Desculpe, terá que pagar mais uma colher de gelado- respondeu a empregada, engolindo o estado de cansaço, provocado pela situação.
        - O quê? Que atrevimento! Então dá-me um gelado quase congelado, mas que afinal não deveria estar tão consistente assim, porque rapidamente derreteu, e atreve-se a cobrar-me mais uma colher?
        A empregada, perplexa, olhou para o patrão à procura de auxílio. Poderia dar-lhe mais uma colher de gelado ou não? Com um movimento de consentimento, o patrão autorizou que a empregada servisse a cliente, exatamente como ela exigia. ´´O cliente tem sempre razão, mesmo aquele que não quer ser desagradável``, foi a frase silenciosa, trocada através do olhar, entre patrão e empregada. Esta, com um sorriso que parecia o mais natural do mundo, assumindo a culpa, desculpou-se e educadamente garantiu:
        - Esta situação desagradável não voltará a acontecer.
        - Não faz mal. Eu sou muito compreensiva. Está desculpada- respondeu Virgínia, sem reparar na ironia contida no pedido de desculpas.

***
O fanfarrão

           Um jovem professor de inglês, aparência extrovertida e sorriso constante. Bem vestido e um ar vaidoso. Alto, magro e um pouco musculado. Daqueles que frequentam um ginásio porque é moda. Um fanfarrão!

           - Posso?- perguntou sorrindo ao homem que conhecia de vista. Ambos frequentavam o mesmo café e quase sempre à mesma hora.

             - Claro!- respondeu Alberto. Rapaz de trinta e dois anos. Estatura média e ar de quem é apenas o que é.  

             - Estás a beber café simples? Eu quero um café com chocolate. É uma bebida com classe. Aqui entre nós, as mulheres gostam quando me veem beber café com chocolate- expressou Cristiano. Ria. Por vezes dava a sensação que ria, não por vontade, mas para mostrar os dentes extremamente brancos.

           O outro não respondeu. Tagarela como era, o jovem professor, continuou a falar. Desabafou:

       - Na empresa da minha mãe existe corrupção. É uma empresa de donativos e o dinheiro das doações estão a ser desviadas pela dirigente da empresa. A minha mãe quer que eu telefone de uma cabine e faça uma denúncia.

            - Por que não o faz ela?- perguntou Alberto movendo a tez morena, numa expressão de dúvida.

            - Tem de ser uma voz de homem.

            - O que diz o teu pai sobre isso?

            - Ele diz que corro perigo se vierem a descobrir que sou eu- declarou Cristiano, executando, sobre o tampo da mesa, uns pequenos sons musicais. Os dedos brancos e compridos denunciavam um nervosismo estudado.

            - Mas tu podes dizer que não à tua mãe. Também acho demasiado perigoso. Acho que isso é um problema de quem lá trabalha- retorquiu Alberto, analisando disfarçadamente, a dança musical dos dedos do outro.

            - Pois, mas se eu fizer a vontade  à minha mãe ela oferece-me uma casa.

            - Como assim?

            - Sim, ela tem na China várias casas. Uma herança de família.

            - Hum, situação difícil.

            - Tenho um fantasma em casa.

            - Como assim?

            - Troca o lugar dos objetos. De vez em quando sinto um ar gelado pela casa.

            - Que medo. Quem pensas que será?

          - Não sei. Tenho umas peças antigas. Muito valiosas sabes. Para mim, decoração, apenas coisas caras. Estou inclinado a pensar que é um soldado romano. Tenho um capacete que pertenceu a um comandante dos romanos e por quatro vezes, quase que me caiu na cabeça. Ele está por cima do sofá da sala.

            - Muda-o de lugar.

            - Gosto do lugar onde está. Está bem visível para quem entra na casa.  Que hei-de fazer?

            - Vende a casa.

            - Assim, sem mais nem menos?  A casa é da minha irmã.

            - Pensei que fosse tua. Pelo modo como te ouço falar da tua casa... já tenho escutado certas conversas tuas... sempre pensei que fosse tua.

            - Olha, uma noite, ia eu a conduzir na estrada que vai para Banff, depois de Calgary... de repente vi um anão à beira da estrada. Sério! Vestido com a bandeira americana! Ele bracejava, bracejava. Parecia que queria que eu parasse. Eu como estava cansado, parei e dormi duas horas. Depois segui viagem e tudo correu bem.

            - Ah!- balbuciou o outro, sem tempo para se refazer da mudança de assunto.
            - Sou perseguido por um homem. Ele pensa que sou amante da mulher dele.

            - Ah!- exclamou Alberto, tentando acompanhar o ritmo de aventuras de Cristiano- E és?

            - Nada sério. Apenas, estás a ver, elas atiram-se a mim e eu não digo que não.

            - Sorte a tua. Como se chama ela?

            - Cristina.
            - Loura ou morena?
            - Morena. Mora no sul da cidade. De vez em quando ela vem até ao norte. Estás a perceber, não estás?
            - Perfeitamente, perfeitamente. Como te persegue esse homem? Já lhe viste a cara?
            - Não, não, manda-me mensagens anónimas. Ameaças. Nem sei como ele conseguiu o meu número. Ela diz que tem sempre cuidado. Um dia com tempo conto-te as histórias que me acontecem. Nem vais acreditar!

            - Vou pois!

            - Sério? És dos meus. Certas pessoas pensam que estou sempre a inventar.

            - Também tenho uma história para contar. Já que gostas de histórias, queres escutar a minha?

            - Força!

            - Mas tens que acreditar. Promete.

            - Prometo.

            - Eu sou o fantasma que te persegue..

            O jovem professor, olhou-o atónito. Depois desatou a rir:

           - Essa teve piada. És engraçado.

           - Não acreditas? Queres tu ver que não tens nenhum fantasma em casa. Mas tenho ainda outra.

           - Ah mas desta vez vais falar verdade.

            - Vou. E tu vais acreditar.

           - Conta lá, ó brincalhão.

           - Olha brincalhão, sou o marido da tua amante. O fantasma  que te persegue, não pela casa mas no telemóvel.

           - Na, na, não pode ser- respondeu o jovem fanfarrão.  O seu pescoço encolheu-se entre os  ombros. Fora-se o vigor e a soberba postura.
            - Por quê? A Cristina, que mora no sul e que é morena, não existe?

            - Existe, claro que existe! Pensas que sou algum gabarola ou quê?

            - Pronto, assim fico mais descansado. Não quero ser injusto. Não quero dar o murro no tipo errado.

            No dia seguinte, na escola, todos queriam saber o que lhe tinha acontecido.

            - Vocês nem imaginam! Fui assaltado. Ele deixou-me a cara negra mas ele ficou pior. Parti-lhe um braço, chamei a polícia. Foi preso!

          - Olha vou beber um café onde costumas ir. Acompanhas-me ?- perguntou-lhe um colega.

          - Ah, não! Deixei de gostar do serviço desse café. Um dia destes sabes o que vinha dentro da chávena?...

          ... E desfiou mais uma história. Histórias! Viviam, em ebulição, no seu sangue. Apenas sobre mulheres, nunca mais contaria. Não queria levar um murro por algo que não tinha feito. Mas que raio de coincidências tem a vida. Por que tinha que existir uma Cristina morena que vivia no sul da cidade e que traía o marido?
            



Virei limão

            Sentado no balcão. Raramente se senta numa mesa. A rondar os desocupados setenta anos. Peso farto, sem atingir a obesidade. A idade tranquiliza-o em relação ao peso. Faz parte das pessoas que usam a idade para justificar muitas situações e ações.
          Repetidamente, na hora de beber o meu café, assisti ao tormento de Andreia. Andreia é a empregada. 
             - Quero um café, um uísque e uma água. Um café longo, um uísque bem servido e água da torneira, mas filtrada,  num copo bem lavado. Limão, muito limão. 
                Assim foi feito.
               - Não quero este limão. Quero as rodelas do meio. São maiores.
               - Mas estas rodelas são do meio- garantiu a empregada. 
               - Não são nada. São muito pequenas. Você cortou da ponta do limão.
                Andreia voltou-lhe as costas. Foi até à cozinha e pouco depois regressou com um limão inteiro. Partiu-o diante do cliente. Ele esperou que ela cortasse todo o limão. Depois disso, protestou:
                - Estes limões são muito pequenos.. Gosto de limões grandes.
               - Não sou eu que os compro. Os nossos limões sempre foram deste tamanho. 
               - Vou reclamar. Dizer ao seu patrão que se recusou a servir-me como eu gosto. 
               Estava, eu, já a sentir-me a trincar limões e dos mais azedos, quando a cena mudou de irritante para hilariante. Não tão divertida para o homenzinho. Esse, quase que se engasgou.
                - Coma-me. Chupe-me- ordenou uma nova voz. 
          Sr. João. Vou chamá-lo assim. Que me desculpem todos os outros Srs. Joões. A expressão desprevenida dele, diante da situação imprevista, denunciava pasmo. A fera amansava.
                - Coma-me. Virei limão. Um limão enorme, suculento...
                Ele tentou balbuciar algo.
              Se  fala morre- avisou a recente personagem; uma cliente saída de um dos cantos do café.
               - Não queria um limão grande? Aqui estou- disse ela, enquanto se ajeitava no banco ao lado dele e esfregava os seios grandes no seu braço.
             - Oh minha senhora, desde quando você é um limão- atreveu-se ele a dizer, ainda de voz fraca.
                - Desde que o comecei a ouvir, dali, daquela mesa. O Sr. é um  palradeiro chato que conta histórias de limões doces. E limão doce não presta, né. Como pode exigir limão? Limão, limão, limão... A única coisa que me lembro de ouvir, desde que entrei neste café, foi a palavra limão. Senta-se aqui de papo cheio sobre as pernas, põe o rabinho nesse banco, para quê? Para falar de limões! Falar não. Aborrecer a empregada e os outros clientes. Por isso virei limão. Meu nome era Júlia. Agora sou a Júlia Limão. Chupe-me- desafiou ela, sacudindo o corpo avantajado diante do assustado homem.
       Depois virando-se para os outros clientes, com o mesmo ênfase de um feirante, perguntou:
           - Quem mais virou limão, de tanto ouvir falar em limões?  Um. Temos um limão. Quem mais? Dois, três limões. E olha que bem rechonchudos. Quem mais? Quem mais virou limão? Não. Você não. É pequenina e magra  (referia-se a mim). Ele gosta de limões grandes. Quem mais? Quem mais virou limão? Eh tantos.! ( as pessoas aderiam à brincadeira). Quatro, cinco, seis... dez limões. Quase todos importados, mas engordados, aqui, no Canadá. Grande limonada.Tens pulso para os espremer a  todos?
               - Oh mulher, você é, mas é doida- respondeu ele, levantando-se e recuando.
              - Vês Andreia? Afinal ele não é tão perigoso como gosta de parecer. Para a próxima corta e oferece-lhe o traseiro do limão. É o que ele merece. 
               Voltaria, Sr. João, a ter coragem para exigir limões grandes?

Fernanda R-Mesquita


***
Ride the Wind Ranch

         A duzentos e dezoito quilómetros de Edmonton, no centro-oeste de Alberta, Canadá, na confluência dos rios Clearwater e North Saskatchewan e com uma longa história que vem desde o século XVIII, fica situada a pequena cidade Rocky Mountain House. Ela serve de marco na mudança, não apenas da estrada mas de toda a paisagem que nos conduz em direção ao Ride the Wind Ranch. Funciona como um filtro, esvaziando-nos da poluição sonora e de toda a correria do dia a dia, a estrada de gravilha que rompe léguas e léguas da frondosa e extensa floresta. 
Vinte e um quilômetro depois de Rocky Mountain House,  surge a indicação; ´´Ride the Wind Ranch``. Quanta vida palpita protegida por toda aquela extensão de árvores! Do lado esquerdo os grous-canadianos convivem em paz com os bois. Do lado direito, dois coelhinhos brincam livremente. Paramos ao lado da casa. No cimo das curtas escadas de madeira, à porta de entrada, surge Kathy Rissi que acolhe-nos calorosamente. 
      Depois de dizermos olá à nossa cabine, vamos até ao alpendre do escritório do Sheriff, onde nos espera uma churrasqueira ao ar livre. Enquanto os alimentos libertam os seus aromas, alguns cervos olham-nos curiosos, e sobre as nossas cabeças as irrequietas andorinhas batem energicamente as longas asas. 
             Saboreamos o jantar enquanto o sol vai dourando as copas das árvores. Devagarinho vai deixando o céu, meio violeta, meio alaranjado. Sem pressa chega a noite. E a lua é o lampião para que as magníficas silhuetas dos cavalos, lentamente e graciosamente, se misturem nas sombras.
  Dez da noite e nós descansamos na confortável cama da cabine, onde a Internet e a televisão não ocupam espaço. Pela mão do silêncio, a quieta noite anima a nossa imaginação infantil; rimos e cochichamos histórias imaginando-nos crianças assustadas.
São dez da manhã e enquanto degustamos o pequeno almoço preparado por Kathy, as palavras fluem. Kathy explica o que os  movera, a ela e ao marido, a sair da Suíça: mais espaço, silêncio, contacto com a terra e com a vida animal. Conta-nos uma história engraçada:
``- Um verão, o nosso gado pastava nas nossas terras, do outro lado da estrada. Como o  pasto é muito grande, com algumas partes dentro da floresta, nem sempre eu os conseguia ver. A um dado momento o telefone tocou. Era um vizinho a informar-nos que vira o nosso gado a uma milha daqui. Eu e Marty selamos os cavalos, e durante meia hora, cavalgamos pela floresta pública. Um tempo depois, já na estrada de cascalho, encontramos um outro vizinho de carro que nos informou que vira os nossos animais. Quando os encontramos, eles já estavam perto de casa. Eles caminharam quase em círculo, cerca de seis milhas, através da floresta espessa. Foi comovente sentir como eles encontraram o nosso lar.´´
  Hora de dizer adeus aos gentis cavalos que nos cercam amistosamente. Faço amizade com ´´Night``. Ele segue-me e pede carícias. Kathy explica:
- Ele nasceu no nosso rancho, há oito anos. Seu pai é o cavalo preto e branco Mescalero e sua mãe é a égua preta, Dakota. Temos um livro, enviado pela própria autora, Lucia St.Clair Robson, que fala sobre os índios Comanche e há um cavalo chamado ´´Night``. O livro tem o nome do nosso rancho e está muito bem escrito.
      Entramos no carro. Um último olhar.  Kathy, a gentil anfitriã, vai ficando para trás. Imagino-a a cuidar da sua família com a paz e o amor que a ampla paisagem, que entra pelas janelas da casa, lhe oferece. Talvez na magnífica varanda lendo um livro ou simplesmente descansando, ou ainda, cavalgando livre pelos prados e florestas. Eu vou entrando numa outra sociedade, barulhenta e surda, prometendo a mim mesma que voltarei e trarei comigo a revista Ponto & Vírgula que fará parte da biblioteca do rancho, onde a escrita em língua portuguesa, esperará por outros hóspedes que gostem e saibam ler em português.
Para além do fantástico silêncio podemos caminhar, cavalgar, nadar ou andar de barco pelos lagos, apreciando toda a vida selvagem. No entanto, para além da beleza do lugar, há a essência encantadora desta família que que nos faz voltar e voltar...

Texto que saiu na revista: Março- 2016

Pode visitar o site do rancho aqui:
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Fernanda R-Mesquita

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