Dizeres biográficos

Nasceu em Portugal a 11 de Fevereiro de 1961. Vive no Canadá. Tem dupla nacionalidade; portuguesa-canadiana. Mora em Edmonton na província de Alberta. Tem participado em muitas antologias, quer de contos, quer de poesia.

Colaboradora da revista Ponto & Vírgula. Revista coordenada por Irene Coimbra.
É membro da http://casadospoetasedapoesia.ning.com/

Autora dos blogs:
Laços de poesia
laosdepoesia.blogspot.com/
e
Juntando espigas
juntandoespigas.blogspot.com/

Celeste e Francisco- A junção dos dois foi a ferramenta para que eu aprendesse letras, arrumasse palavras e as desfiasse em histórias

'' 1961. Quantas coisas podem acontecer no ano em que nascemos ou numa data em que algo importante nos acontece! Com menor ou maior importância todas as ocorrências ramificam a sociedade, mesmo as que não florescem.
  Pensando bem foi uma época cheia de vontade para mudar. Os direitos das mulheres começavam a ganhar voz e surgia devagar o direito ao divórcio. A televisão nascida recentemente funcionava um pouco como um manto para esconder a realidade de Portugal e para entreter os olhares dos portugueses. Os artistas, os escritores e os cineastas iam-se impondo com uma certa dificuldade, mas impunham-se. Como cantores destacavam-se Simone de Oliveira, Madalena Inglesias, António Calvário e Artur Garcia. Nesse verão,a 13 de Agosto, Mário Silva vencia a volta a Portugal em bicicleta. Eusébio tornou-se jogador do Benfica, em Maio de 1961, já com a época quase a terminar, mas ainda a tempo de se tornar campeão nacional no seu 1º ano ao serviço ao Benfica. Era criado o Instituto Gulbenkian da Ciência. João Osório, um dos fundadores da Casa da Comédia estreava a sua primeira peça literária `` D. Henrique de Portugal``, no Teatro Nacional D. Maria. Almada Negreiros decorava as fachadas dos edifícios na Cidade Universitaria de Lisboa e nascia Ricardo Pinto, escritor de literatura fantástica e uns dias antes de eu nascer, estalava a Guerra de África.
Vivi a ditadura e o dia em que nos libertamos dela.
            Da História antes do 25 de Abril? A História de Portugal, eu conhecia através da matéria que dera na Escola de Ensino Primário e no Ciclo Preparatório. Mas não só! Aprendi a conhecer o ambiente político do país onde nascera e vivia, pelas inúmeras histórias contadas pelos adultos, sobretudo pelo meu avô
       
Guardo na memória, a sala de aula na pequena escola da aldeia... a minha tão amada sala de aula! No entanto, hoje, seu sei, que o que lhe dava vida, eram os nossos sonhos de meninos. Ela tinha cheiro a aventura. Era como um navio, onde entrávamos e podíamos viajar pelo mundo inteiro, sem sair dali. Mas, eu não sabia ainda, que tudo ali era comandado pelos ideais políticos de um só homem; Salazar. Lembro-me da enorme cruz, no meio das molduras escuras, com as fotos  a preto e branco do Presidente da República e do Presidente do Concelho. Todas as manhãs, antes do início das aulas, ficávamos de pé, solenemente direitos, para cantar o Hino Nacional. A importância deste ritual não era sentida apenas, ´´ antes do início das aulas``, porque, este ritual obrigatório, estendia-se e fazia-se sentir em toda a  nossa educação. Muito mais tarde, viria a entender o poder da figura de Salazar na vida do povo português. Até ali, ele não passara de mais um personagem nas história que o meu avô contava, após a ceia, em frente à lareira, que nos aquecia nas noites frias de Inverno. Anos depois compreendi, o verdadeiro significado do tom mais baixo, que ele usava quando falava do Estado Português. Por vezes ele falava de alguém que se tinha excedidos nas palavras e simplesmente desaparecera, sem que mais ninguém soubesse dele.
 Depois chegou a liberdade. Uma liberdade que convidou muitos portugueses a emigrarem.

   Somos um povo mais aberto, podemos circular por toda a Europa e sabemos o que vai pelo Mundo. Todas as casas (quase) têm esgotos, electricidade, são equipadas com eletrodomésticos mas não existem condições monetárias para pagar tudo isso. É como se a liberdade tivesse sido ganha pela metade.  As famílias que continuam a perder as suas casas, os velhos condenados a reformas precárias e cada vez com menos direitos que os ajudem a envelhecer com dignidade e as crianças que vão para a escola com fome, são a fotocópia perfeita do resultado de um governo desequilibrado, arrogante e insensível. A agricultura, as várias indústrias e comércios vivem de incertezas, abalados pelos limites que lhe são impostos.

- Não terão escasseado as uvas, porque as cepas foram cortadas a troco de dinheiro estéril?

            Viva a poesia!

            Viva o amor


O dia em que me tornei cidadã canadiana 

      Um dia especial! Hoje dia 24 de Maio de 2016, às 10h da manhã, prestei juramento e tornei-me cidadã canadiana ( sem perder a nacionalidade portuguesa ). Foi um caminho que valeu a pena percorrer; a volta obrigatória à escola, os testes a que me submeti até obter o diploma que me daria acesso ao teste definitivo. Esse teste realizado a 8 de Fevereiro, conduziu-me ao dia de hoje.
Até há cerca de uns cinco anos atrás, não era necessário frequentar a escola; bastava, depois de ser permanente residente, fazer um teste para mostrar alguns conhecimentos sobre o país. Mas na prática, o não ser obrigado a frequentar a escola, conduziu a um alerta: uma boa parte da sociedade corria o risco de se tornar analfabeta ou no mínimo com pouca noção dos direitos e deveres como cidadão. Canadá é um país de emigrantes. De muitos países chegaram em massa e muitos por aqui ficaram. A enorme necessidade de mão de obra facilitou a cidadania a muitos, sem a necessidade de cumprir grandes requisitos. Com o passar do tempo as leis foram mudando e as exigências aumentando. No entanto, poderá permanecer aqui apenas como Permanente Residente e ir renovando o cartão. E é o que muitos fazem.
     Ser cidadã canadiana foi um desejo meu, desde que entrei neste país.  Lutei por isso, dispondo-me a frequentar a escola aqui. Não importa o grau de escolaridade que traga do seu país de origem; se pretender a cidadania canadiana terá que forçosamente frequentar a escola, no mínimo obter o diploma que lhe permitirá a fazer o teste que comprova o seu conhecimento da história, geografia, política, tradições etc. Foi uma experiência gratificante. Experiência que me ofereceu a oportunidade de conviver mais de perto com outras culturas.
File:Canada Place 2010, Edmonton.jpg    A cerimónia foi bem organizada, descontraída e alegre. Foi com orgulho que fiz parte dos 87 candidatos, agora 87 novos canadianos. No entanto, durante as duas horas do evento, houve um ponto alto que me fez sorrir; quando o comissário da embaixada garantiu que a sociedade canadiana é uma sociedade de direitos iguais, onde a mulher é igual ao homem, incluindo no direito ao voto, algumas mulheres, entre elas algumas vindas do Médio Oriente, levantaram-se e bateram palmas. Pude notar a alegria escondida das duas mulheres sentadas à minha frente; uma alegria quase envergonhada, debaixo dos  respectivos véus, mas com vontade de saborear a liberdade.
   Uma curiosidade, para aqueles que desconhecem; é obrigatório prestar juramento de fidelidade à Rainha Elizabeth II, considerada também Rainha do Canadá.

    A cerimónia teve lugar no Canada Place, 9700-  Jasper Av. O meu lugar foi o n. 59.

    






































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Revistas:


 * Em Março de 2016 tornou-se colaboradora da Revista Ponto & Vírgula 




























Vivi várias realidades; a algumas, àquelas de péssima índole,
 cheias de códigos maliciosos e de raízes malignas... voltei as costas.
Depois de uma regularidade excessiva  em campo de batalha, 
entendi que não falávamos a mesma língua...
E como não queria viver na sombra ou em permanente conflito,
consumida por ódios e lágrimas, converti-as ao isolamento.
Tranquei a porta,  pregando eu mesma, tábua a tábua...
(Senão,  não me sobraria tempo para viver e amar.)
Agora sei que morrerei nova, ainda que morra com cem anos de idade!




Nesta leve e pálida certeza do que é a vida,questiono esta incerteza:-  Seria bom ou não, lembrar a sensação de nascer? E se eu passasse a saber que tinha morrido? São repetidas as vezes em que me sinto estranha, como quem pisa pela primeira vez um novo lar. Um pouco mais de meio século...Muitos anos? Então, porque sinto esta constante sensação;que a vida é um fechado e silencioso ventre, deixando-me constantemente desprovida de disfarce e indefesa... recém- nascida...sem poder e sem tempo para me descobrir?














Ao explicar porque escrevo tenho que obrigatoriamente falar dos meus avós.
Nem sempre crescer com pessoas que não sabem ler significa que nos sejam cortados os acessos à aprendizagem ou o gosto pela leitura e pela escrita.
Os meus avós, aqueles dois seres fantásticos, que costumavam dizer que não conseguiam decifrar uma letra do tamanho de um comboio, ao descobrirem o meu interesse pelos livros, fizeram questão que eu crescesse rodeada deles. Infelizmente eles partiram cedo demais e deveres importantes da vida, obrigaram-me por uns anos a afastarem-me do desejo de escrever. Mas aprendi com o tempo, que poderemos ter que nos afastar um pouco dos nossos objectivos, mas nunca esquecê-los ou abandoná-los. Foi o que fiz, assim que a vida me proporcionou um pouco mais de tempo. E aqui estou a fazer uma das coisas que mais gosto; escrever. Partilhar palavras com todos vocês é um verdadeiro prazer.
O lugar onde me sinto bem, é aquele onde me tratam bem.


 Viver e sentir a vida, é ter a sensibilidade de sentir e entender, que ela apenas pode correr se for livre e se eu tiver a capacidade de a viver em liberdade! O que me serve de inspiração para escrever? Tudo. O que é bom e o que é mau. O belo e o feio. A alegria e a tristeza. A felicidade e a dor. A esperança e o desânimo. Os sons e os silêncios. O perder e o ganhar. O dia e a noite. O amor e a sua ausência. O meu lado infantil e o meu lado adulto. A visão e a reflexão que a natureza me proporciona. As palavras, são testemunhos dos diferentes estados de alma pelos quais passo e que reflectem os sentimentos causados pelo meio ambiente em geral que me rodeia. A primeira necessidade das palavras é saírem de dentro de mim, para que não morram dentro de mim. Por isso nascem com a necessidade de partilhar, alertar e o desejo de sentir que alguém recebeu a mensagem e  que não ficou indiferente. No entanto, existe uma palavra que consigo reconhecer como recorrente em quase tudo o que escrevo ...silêncios... por isso costumo dizer que:
- ''Os silêncios têm horas, mas não podem agarrar todas as horas do dia.”


Fernanda R- Mesquita


Fernanda R. Mesquita  nasceu em Torres Vedras, Portugal em 1961 ...escreve o canto de uma ave, descreve o zunir de uma abelha, encontra palavras entre as pétalas de uma flor, rima triste o choro de uma criança, traduz o sorriso de um ancião, viaja com a lua, rende–se aos encantos do sol com palavras mágicas, escolhe o mar para conselheiro e vive dos pequenos nadas que a sua alma em grandes transformam.

Nasceu num mundo onde veio a descobrir que as palavras vivem de uma forma ordenada , pararelas aos seus sentires. Cresceu na vida, e é para a vida que se oferece quotidianamente. O único protagonismo que deseja é manter–se fiel a si própria, sem ter que ser igual a alguém.
Vive actualmente na cidade de Edmonton no Canadá.
(Edmonton, Março- 2013) 

Eduardo Mesquita


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