O livro de Ísis


...escrita direta...




Ao imaginar que tu existes


Ainda não sei se és princípio no corpo da tua mãe,
mas apenas a possibilidade de existires
abre em mim uma janela, por onde eu lanço a minha voz
para te dizer que eu te amo, meu amor.
Sim, chamo-te de meu amor sem medo de me expor à zombaria alheia
(Porque, hoje em dia, muitos riem de quem tem a coragem de falar de amor)
Se me ouvires antes de entrares no teu berço maternal
leva esse amor contigo e fá-lo estrela no teu céu, que sei que será vasto.
Que o sol te seja farol,
luz e amor a crepitar nos teus caminhos.
Eu hei-de deixar partes de ti em poema
e tu porque crescerás dentro dos braços dos teus pais
e os três existirão, por longos dias, embriagados de harmonia
num lar pleno de plantas tranquilas, aspirarás colecionar abraços.
Os humanos ficarão espantados como o o amor
faz ninho dentro do amor.
E porque ao pensar que tu existes, 
ao imaginar tudo isto... dentro de mim, primavera!



Data de nascimento 8 de agosto 2017- meia noite e 58 minutos- Loures- Portugal











Tu, ao meu colo, com dois dias de vida. Hospital de Loures- Portugal


Eis tu, vestida de um universo
que tento alcançar
com o longo braço da imaginação
É longa e alta a escada que se estende por um lençol
que guarda mistérios
do mundo de onde vieste
Tenho amor a sobrar
para chegar ao teu reino
que adivinho pleno de ruas
pavimentadas de vida















dia 12 de agosto. Viimeiro

Ao teu redor uma aura infinita de paz
Eu mergulho nela, sem lhe conhecer os fundos
os lados... os limites
Cada movimento teu, cada expressão
dispensa pensamentos
Os sentimentos preenchem
o agora

E o agora é tão eterno... porque tu nasceste...





Que bom poder viver para ver

Uma estrela que veio à terra



Poema escondido

Há gatos por todos os lados
Em cada muro, em cada canto...
Mas apenas três eles, têm coragem de entrar no pátio;
um todo branquinho, um preto e outro pardo
Um pouco furtivos, mas não fogem
És pequenina e não vês a graça deles
arrebitando as orelhas, abanando a cauda
de narinas cheias pelo cheiro da comida

Desde os pequenos animais, à mesa posta no pátio
ao teu sono tranquilo existe o universo e eu,
lendo esse poema escondido aos olhos de muitos
É uma página inteira que mantém um acordo com as palavras
e os sentimentos que dedicamos à tua chegada

De hora a hora ouço o relógio da igreja.
Som característico das aldeias portuguesas
Mas agora dei por isso que em duas semanas de estadia
ainda não escutei o cantar do galo
Será que fugiram todos ou terão sido capturados
e enviados para os aviários?
Um dia quando souberes escutar uma história
regressarei à minha infância para te mostrar
como cantavam livres, os galos,
cumprindo a grata tarefa de acordar,
de forma mágica, os pátios das casas

Há sobre o poço uma joaninha enamorada pelo sol
uma borboleta recolhendo nas asas o brilho dos céus
uma mosca quebrando o silêncio da tarde quente
na casa ao lado um papagaio que não se cansa de dizer olá
e uma formiga afirmando que a hora é para trabalhar

É uma fotografia viva, mas, para muitos,
 não deixa de ser uma fotografia
A pressa dos homens não a deixam sair da moldura
Para eles, borboleta, mosca, papagaio, formiga
Tardes quentes e silenciosas são apenas palavras
... frequentemente também a palavra criança é apenas uma palavra emprestada,
para que determinada idade dos homens não fique sem senha para entrar nas memórias
Mas tu criança, recém nascida, dormindo nos meus braços
és novo caminho para os meus olhos



Um flash, momento curto, prodigioso clarão
que tece sedas eternamente cuidadas pelo amor
Linguagem viva de sorrisos sinceros
que obedecem ao alfabeto
de quem nasce para viver amando a vida



















Com 16 dias

Assim te deixei antes de partir para terras distantes
Adormeci-te nos meus braços,
deitei-te cuidadosamente, abri a porta
e desci as escadas.
Degrau a degrau apenas o corpo físico desceu;
a minha alma foi ficando para trás...
para ti
Há algo muito forte que fica suspenso na distância,
que há-de nutrir as futuras  estradas por onde caminharemos juntas




O teu primeiro sorriso

































Fernanda R-Mesquita

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